
Quarta-feira, Abril 06, 2005
"A americana Terri Schiavo, 41, que vivia em estado vegetativo havia 15 anos, morreu nesta quinta-feira no hospital Pinellas Park (Flórida) após longa batalha judicial entre seu marido, Michael Schiavo, e sua família. O tubo que alimentava Terri foi retirado no último dia 18."
Folha Online 31/03/2005 - 12h06
Eutanásia: sim ou não?
A questão da eutanásia provoca, por si só, discussões entusiasmadas tanto defendendo quanto condenando a prática. Em uma sociedade que tem uma consciência judaico-cristã profundamente enraizada, como no Brasil, essas discussões se tornam ainda mais acirradas. Essa consciência, porém, não deve nos impedir de analisar o tema com uma certa frieza e uma boa dose de discernimento. Existem casos e casos.
Muito se diz que ninguém tem o direito de tirar a vida de outra pessoa. Isso é óbvio. Entretanto, em se tratando da eutanásia, o próprio paciente que se encontra em estado terminal é quem teria o poder de decisão. Decisão sobre a própria vida. Já imaginou se não pudéssemos escolher que carreira vamos seguir, o que vamos consumir, como vamos nos vestir? Se podemos decidir assuntos como esses, assumindo os riscos que nossas resoluções podem, eventualmente acarretar, não poderíamos decidir se queremos ou não viver?
É impossível impor um desejo a alguém. Além disso, não se pode imaginar o sofrimento pelo qual um doente passa quando não tem mais condições de viver. Em inúmeros casos, pacientes com câncer têm que tomar, sistematicamente, injeções de morfina para suportarem vivos a dor que sentem. Viver assim é digno? Aliás, viver assim é viver?
Acredito que impedir um desejo de um paciente em estado terminal, em casos que não há cura é puro egoísmo. Egoísmo dos parentes. Egoísmo de preferirem ter o ente sofrendo ali do que deixá-lo ir de uma vez. É poupar o seu sofrimento de perda e deixar o outro sofrer com a doença.
Quando estamos doentes, tomamos algum remédio para voltarmos a ter uma vida saudável e prazerosa, sem os infortúnios da doença. Para pacientes em estado terminal, não existe mais nenhum medicamento ou técnica médica que lhes devolva o sabor de viver plenamente. Esses pacientes devem esperar, dolorosa, e muitas vezes demoradamente, a hora da sua morte? A vida não é um fardo a ser carregado. Da mesma forma que não podemos obrigar ninguém a morrer, não deveríamos obrigar a viver. Além disso, temos que parar de ter medo da morte. Ela vem para todos, não é mesmo? E vai ver nem é um negócio tão assombroso assim.
Com Que Sobreno-?
Amanda Maia, 18 anos.
A menina capixaba-carioca.
A namorada do Thomaz.
Que faz economia na UFES.
E que não sabe o que faz.
Nem o que escreve.
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